Calculadora de perfil lipídico: LDL calculado e metas de colesterol

Esta ferramenta educativa ajuda a interpretar os números de um perfil lipídico a partir do colesterol total, colesterol HDL e triglicérides informados em mg/dL. O resultado principal é uma estimativa de colesterol LDL, acompanhada de colesterol não-HDL, relação entre colesterol total e HDL, classificação de triglicérides e comparação com a meta escolhida conforme risco cardiovascular. A categoria de risco precisa ser estabelecida em avaliação clínica. Um resultado calculado não representa diagnóstico e não substitui a interpretação de um profissional de saúde.

Quando os triglicérides estão abaixo de 400 mg/dL, o LDL principal utiliza Friedewald: colesterol total menos HDL menos triglicérides divididos por cinco. A partir de 400 mg/dL, Friedewald não é calculado: a estimativa principal passa a utilizar a equação de Sampson, desde que os triglicérides não ultrapassem 800 mg/dL. Acima desse limite, não é apresentado LDL estimado. A fórmula de Martin–Hopkins é descrita para fins didáticos, mas não é calculada sem a tabela de fatores variáveis exigida pelo método.

As metas de LDL desta página são inferiores a 130 mg/dL no baixo risco, 100 mg/dL no risco intermediário, 70 mg/dL no alto risco e 50 mg/dL no risco muito alto. Para cada categoria, a meta de colesterol não-HDL corresponde à meta de LDL mais 30 mg/dL. Valores iguais ao limite não atendem à condição de ser menor que a meta. A indicação de risco e a escolha de condutas dependem do contexto individual, que não pode ser resumido a três medidas laboratoriais.

Como os métodos de cálculo funcionam?

Como a fórmula de Friedewald calcula o LDL?

Friedewald estima o colesterol LDL subtraindo do colesterol total o HDL e uma estimativa do VLDL. Essa última parcela é aproximada por triglicérides divididos por cinco, em mg/dL. É uma equação simples para perfis com triglicérides abaixo de 400 mg/dL, mas sua precisão pode diminuir em certas condições metabólicas.

Friedewald: como usar e limitações

LDL = CT − HDL − TG/5. Use os três resultados na mesma unidade, mg/dL. A hipótese de proporção fixa entre TG e VLDL é a principal limitação; quando TG ≥ 400 mg/dL, a calculadora não utiliza a equação.

Quando a equação de Sampson é útil?

Sampson estima o LDL com termos que levam em conta colesterol total, HDL, triglicérides e não-HDL. Sua correção não linear é útil quando os triglicérides estão elevados e Friedewald deixa de ser aplicável. Nesta ferramenta, ela substitui Friedewald entre 400 e 800 mg/dL de triglicérides; acima disso, nenhum LDL é apresentado.

Sampson (NIH): como usar e limitações

LDL = CT/0,948 − HDL/0,971 − (TG/8,56 + TG × não-HDL/2140 − TG²/16100) − 9,44. Insira os exames em mg/dL. É uma estimativa, não uma medição direta; a calculadora limita seu uso a TG ≤ 800 mg/dL.

O que diferencia o método de Martin–Hopkins?

Martin–Hopkins também estima o LDL a partir das frações do perfil lipídico, mas substitui o divisor fixo aplicado aos triglicérides por um fator variável conforme triglicérides e colesterol não-HDL. O método exige uma tabela específica de fatores. Esta calculadora não implementa essa tabela e utiliza Sampson como alternativa para triglicérides altos.

Martin–Hopkins: como usar e limitações

Para usar Martin–Hopkins corretamente, é necessário consultar a tabela de fatores apropriada e aplicar o fator correspondente aos resultados individuais. Sem essa tabela, não é correto atribuir um divisor aproximado nem apresentar um LDL como se fosse calculado por esse método.

O que o colesterol não-HDL mede?

O colesterol não-HDL reúne o colesterol das partículas que não são HDL. Seu cálculo é direto: subtraia o HDL do colesterol total, ambos em mg/dL. Ele pode complementar a interpretação do LDL, especialmente quando triglicérides estão elevados. A meta mostrada aqui é sempre 30 mg/dL acima da meta de LDL.

Colesterol não-HDL: como usar e limitações

Não-HDL = CT − HDL. Use o mesmo exame e a mesma unidade para as duas medidas. O resultado não identifica separadamente cada classe de lipoproteína e deve ser interpretado junto com o risco cardiovascular e o restante do contexto clínico.

Como interpretar a relação entre CT e HDL?

A relação CT/HDL divide o colesterol total pelo colesterol HDL e produz um número sem unidade. Ela mostra a proporção entre duas medidas do exame e pode oferecer contexto adicional, mas não é uma meta terapêutica nesta calculadora. Não use essa razão isoladamente para decidir tratamento ou substituir a avaliação do LDL.

Relação CT/HDL: como usar e limitações

Relação CT/HDL = CT ÷ HDL. Informe HDL maior que zero. A razão muda quando qualquer uma das duas medidas muda; pessoas com a mesma relação podem ter concentrações absolutas e perfis de risco muito diferentes.

Como são definidas as metas de LDL por risco?

As metas apresentadas seguem as categorias de risco cardiovascular usadas nesta página: LDL menor que 130 mg/dL no baixo risco, 100 no intermediário, 70 no alto e 50 no muito alto. Para não-HDL, acrescente 30 mg/dL a cada meta. Um profissional deve estabelecer a categoria de risco adequada.

Metas por risco: como usar e limitações

Escolha a categoria definida na avaliação clínica antes de comparar os valores. A comparação usa limites estritos: um resultado igual à meta não está abaixo dela. Metas não dispensam revisão de histórico, outras condições e possíveis limitações do método de estimativa.

Perguntas frequentes sobre colesterol

O que é colesterol LDL calculado?

É uma estimativa da concentração de colesterol nas lipoproteínas de baixa densidade obtida a partir do colesterol total, HDL e triglicérides. O resultado depende da equação utilizada e das condições da amostra. Não equivale a uma medição direta nem define, sozinho, diagnóstico ou tratamento.

Quando a fórmula de Friedewald não deve ser usada?

A fórmula de Friedewald não deve ser aplicada quando os triglicérides são iguais ou superiores a 400 mg/dL. Nessa faixa, estimar VLDL dividindo triglicérides por cinco perde confiabilidade. Esta calculadora mostra Sampson como alternativa até 800 mg/dL, sem substituir avaliação laboratorial e clínica.

Como funciona a fórmula de Sampson?

A equação de Sampson estima LDL com uma correção não linear que considera colesterol total, HDL, triglicérides e colesterol não-HDL. Ela foi proposta para melhorar a estimativa em amostras com triglicérides elevados. Aqui seu uso é limitado a triglicérides de até 800 mg/dL.

Qual é a meta de LDL para cada risco cardiovascular?

As metas exibidas são inferiores a 130 mg/dL para baixo risco, 100 para risco intermediário, 70 para alto risco e 50 para risco muito alto. A escolha da categoria exige avaliação clínica individual. Estar abaixo da meta não elimina outros fatores de risco.

O que significa colesterol não-HDL?

Colesterol não-HDL é o colesterol total menos o HDL. Ele representa o colesterol transportado por partículas que não são HDL, incluindo LDL e outras lipoproteínas potencialmente aterogênicas. Nesta página, sua meta é a meta de LDL da categoria de risco acrescida de 30 mg/dL.

A relação colesterol total por HDL substitui o LDL?

Não. A relação CT/HDL é calculada dividindo o colesterol total pelo HDL e oferece uma perspectiva adicional sobre a distribuição do colesterol. Ela não substitui o valor de LDL, o colesterol não-HDL, a classificação de risco nem a interpretação de um profissional de saúde.

Como ler os resultados do exame?

Triglicérides abaixo de 150 mg/dL são classificados aqui como desejáveis; de 150 a 199 mg/dL, limítrofes; de 200 a 499 mg/dL, altos; e a partir de 500 mg/dL, muito altos. O HDL é sinalizado como baixo abaixo de 40 mg/dL para homens ou abaixo de 50 mg/dL para mulheres. Essas indicações são descrições do exame, não um diagnóstico isolado. O resultado do LDL é arredondado apenas para apresentação, enquanto o cálculo utiliza os valores informados sem arredondamento intermediário.

A régua visual compara a posição do LDL estimado com a meta da categoria selecionada. O gráfico de composição só é apresentado quando triglicérides são inferiores a 400 mg/dL, pois nele a fração VLDL é estimada por triglicérides divididos por cinco. Com triglicérides maiores, essa decomposição se torna inadequada. O comparador mostra separadamente as estimativas Friedewald e Sampson quando cada método está em sua respectiva faixa de utilização nesta ferramenta. A diferença entre números não significa, por si só, que uma condição específica esteja presente.

Os casos clínicos disponíveis são exemplos fictícios para experimentar o funcionamento da calculadora. Eles preenchem as entradas, mas não representam uma recomendação individual. Antes de discutir metas ou medicamentos, leve seu exame a um profissional de saúde para avaliar histórico, fatores de risco, condições associadas e eventuais necessidades de confirmação laboratorial. O conteúdo foi organizado para tornar transparentes as fórmulas e seus limites, não para orientar decisões clínicas automáticas.

Referências científicas

  1. Friedewald WT, Levy RI, Fredrickson DS. Estimation of the concentration of low-density lipoprotein cholesterol in plasma, without use of the preparative ultracentrifuge. Clinical Chemistry. 1972;18(6):499–502.
  2. Sampson M et al. A New Equation for Calculation of Low-Density Lipoprotein Cholesterol in Patients With Normolipidemia and/or Hypertriglyceridemia. JAMA Cardiology. 2020;5(5):540–548.
  3. Martin SS et al. Comparison of a Novel Method vs the Friedewald Equation for Estimating Low-Density Lipoprotein Cholesterol Levels From the Standard Lipid Profile. JAMA. 2013;310(19):2061–2068.
  4. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. Arquivos Brasileiros de Cardiologia.